22 set Fisioterapia, envelhecimento e prevenção
Por Prótasio Lemos da Luz
Jornal da Sociedade Brasileira de Cardiologia – Fev/17
Desde que o envelhecimento é inexorável, o melhor que se pode fazer é evitar que algumas de suas consequências sejam drásticas. Efeitos do envelhecimento no sistema musculoesquelético são muito sérios. Fadiga muscular, fraqueza geral, defeitos posturais, quedas e fraturas são muito frequentes. Fraqueza muscular causa redução na locomoção, quedas por falta de equilíbrio e fraturas. Articulações envelhecidas causam dores crônicas, levando até à imobilização parcial ou total. Além disso, essas doenças têm considerável impacto financeiro.
Tem-se sugerido que o exercício físico contínuo e moderado reverte muitos efeitos do envelhecimento musculoesquelético. Estudos com ressonância magnética mostraram que exercícios de fortalecimento muscular com duração aproximadamente de um ano aumentam nitidamente a massa muscular da coxa, mesmo em indivíduos com 80 anos. Esses e outros dados dão indiscutível apoio aos exercícios.
Frequentemente, porém, essas medidas são adotadas quando as pessoas já têm sintomas. Uma alternative importante é a prática de fisioterapia como medida preventiva. A fisioterapia desenvolveu-se muito ultimamente. Criaram-se exercícios específicos para coluna, ombros, quadris e outros. Eles são diferentes dos exercícios gerais como caminhar, nadar ou correr.
As articulações dependem basicamente de estruturas musculares que as sustentam; dependem também da postura do indivíduo. Ocorre que na vida diária as pessoas adotam posturas impróprias, muitas em função da profissão: ficar sentado por longo tempo, trabalhar agachado como os cirurgiões. Essas posturas causam atrofias de certos grupos musculares por desuso, e sobrecarga de outros por má-posição e esforço repetitivo.
Portanto, a fisioterapia bem orientada, executada por profissionais, deveria ser adotada como rotina a partir dos 50 anos, para todos; e não apenas como terapia quando as pessoas já estão doentes. Isso faria que doenças musculoesqueléticas ocorressem mais tarde, ou não ocorressem; e que fossem tratadas com mais eficiência.
(Protásio Lemos da luz, professor sênior de cardiologia da InCor Faculdade de Medicina da Universidade de São paulo – FMUSP)
Fonte: Jornal da Sociedade Brasileira de Cardiologia, 175 – pg. 24
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